sábado, 22 de março de 2008

Prêmio e castigo

O prêmio

A idéia por trás de premiar uma criança (elogiar, acariciar, dar um presente, etc...) por um comportamento chamado 'adequado' é a de fazê-la repetir aquele comportamento. Como é agradável ser elogiada, acariciada, receber um presente, a criança tenderá a repetir esse comportamento no intuito de novamente experimentar a sensação de ser elogiada, acariciada e presenteada. Além disso, recebendo um elogio a criança vai associar o comportamento elogiado como algo bom. A diferenciação bom/ruim começa a ser feita, ou melhor, aprendida.

É interessante verificar como isso funciona até em extremos (ou talvez 'principalmente' em extremos). No seu relato sobre sua vida como criança-soldado, Ishmael Beah (no seu livro: 'A longa jornada: memórias de uma criança-soldado') conta como o seu comandante fez um concurso entre as crianças-soldado para ver quem conseguia cortar a garganta de um prisioneiro de guerra de modo a fazê-lo morrer primeiro. O vencedor foi aplaudido, elogiado, invejado. Esses aplausos, nada mais são do que o preenchimento de uma necessidade da criança-soldado por reconhecimento, amor, carinho, contato. Que essa retribuição aconteça depois de um ato brutal de violência, além de pouco importar, conecta esse ato com algo de bom: o elogio, levando a criança a associar o ato também como bom/positivo.

O prêmio pode ser em dar algo agradável, nesse caso ele é chamado de positivo, mas também em tirar algo desagradável, o prêmio chamado de negativo. Exemplos: eu posso dar a minha filha um chocolate pelo seu comportamento 'adequado' na casa da minha vizinha (tendo lhe prometido ou não), bem como o professor pode deixar as crianças sem dever de casa, porque elas foram 'boazinhas' (tendo lhes prometido ou não).

Existem, é claro, vários outros fatores que influenciam o comportamento infantil, como por exemplo o castigo, mas o prêmio não deve ser desconsiderado quando da análise desses fatores.

Meu problema pessoal com a premiação é que a criança vai se tornando aos poucos reativa. Quero dizer, age de acordo com os impulsos externos ou na expectativa de recebê-los. Além do que, dar algo ou prometer algo à criança para que ela aja de uma determinada forma me parece uma forma de manipulação inaceitável.


O castigo

O castigo é quase o contrário do prêmio. a tentativa com o castigo é de fazer diminuir o acontecimento de um comportamento chamado 'inadequado'.

Castigar também pode ser feito de maneira positiva ou negativa: bater, aprisionar, gritar (exemplos positivos - o nome soa estranho, não? Mas não sou eu a autora.) ou deixar de brincar, deixar de tomar sorvete ou mesmo de comer (quem nunca ouviu falar de 'Mamãezinha querida'?), deixar de ir a uma festa (exemplos negativos).

Não existe hoje um consenso entre psicólogos e psiquiatras que castigar uma criança é considerado ruim?
Eu pelo menos ainda não achei nenhum livro de psicologia infantil que considere bater, gritar, ameaçar ou 'colocar pra sentar nun cantinho' como bom para o desenvolvimento da criança. Se alguém souber de um, por favor, me indique, pois eu gostaria muito de perscrutar o seu conteúdo.

Há pelo menos uma mudança de mentalidade na Europa a esse respeito. Um exemplo: professores de algumas escolas em algumas partes da Grã-Bretanha até pouco tempo (década de 80) podiam ainda bater em seus alunos. Hoje não mais. A Declaração Européia de Direitos Humanos e a Corte em Strasbourg tiveram com certeza uma grande influência nessa mudança, mas será que é só isso ou há um reconhecimento geral de que essa violência além de desnecessária é prejudicial?


Eu acredito (e não estou sozinha) que o principal foco da criança ao ser castigada vai ser no castigo e não no comportamento 'inadequado' que não deve ser repetido. Existe sem sombra de dúvida uma relação de poder entre a criança e o 'carrasco', que é exercitada no momento do castigo. A criança é obrigada, forçada (posto que não tem forças para resistir à imposição do castigo) a 'aceitar' o castigo. A criança castigada é então humilhada (a humilhação não é algo extra, é o castigo em si, pois a criança tem que se render a essa imposição). É patente a sua impotência frente ao poder daquele que castiga. A humilhação sofrida, por mais sutil que seja, não vai levar a criança a compreender que seu comportamento foi 'inadequado' e nunca mais repeti-lo (intuito declarado por aquele que castiga); mas pode levar a criança a internalizar que ela tem menos valor (humilhação = desvalorização), posto que tem menos poder, fez algo 'errado', etc. Eu não acredito que isso se dê na base da consciência, mas que fica um gostinho de 'eu sou mais fraco', 'eu perdi', 'eu não posso contra ele' fica. Tambem gera sentimentos de raiva o castigo. A criança na sua impotência sente raiva por aquele que a castiga. E em se tratando da querida mamãe, esse sentimento de raiva leva consequentemente ao famigerado sentimento de culpa, pois 'como posso sentir eu raiva por esse ser amoroso que é tudo na minha vida, a minha mãe'? E quanto a culpa... sem comentários.



Por mais que alguém não aceite nenhum dos argumentos acima e/ou outros que existem, tem que aceitar pelo menos uma coisa: há outros meios de mostrar à criança que determinado comportamento não é adequado para a vida em sociedade. E então, eu lanço o desafio e abro o debate: por que não buscar essa compreensão e esse aprendizado através do diálogo ao invés de por toda e qualquer forma de violência ou manipulação?

terça-feira, 18 de março de 2008

Curso de CNV em São Paulo

A CNV - Comunicação Não-Violenta trabalha com distinções precisas para investigar formas de comunicação. Buscando alternativas para a confrontação, possibilita mudanças estruturais no modo de encarar e organizar as relações humanas, valorizando a convivência ética, responsável e lúdica, por meio das quais podemos criar ambientes menos estressantes e mais prazerosos.


O Curso de CNV será composto de 7 encontros.


Facilitadora:

Valéria Almeida: Educadora. Formada em cursos de magistério; graduada em comunicação social e ciências sociais; seguiu treinamento intensivo de CNV (Non-Violent Communication International Intensive Training); pós-graduada em dinâmicas corporais terapêuticas, com aperfeiçoamento em arte-educação e psicomotricidade. Focalizadora de capacitação em Comunicação Não-Violenta para agentes sociais da Fundação Gol de Letra (2004 a 2006); ministra Cursos de Introdução e Prática da CNV na Associação Palas Athena (2006 a 2008).


Data: Serão 8 encontros, às quintas-feiras, nos dias 27de março; dias 3, 10, 17 e 24 de abril e 08 e 15 de maiode 2008.


Horário: O participante poderá escolher entre dois horários, conforme for mais conveniente, das 17h30 às 19h00 OU das 20h30 às 22h00.


Local: CPSP - Rua Lisboa, 344 - Pinheiros, São Paulo.


Investimento: R$ 300,00 (em 2 parcelas de R$ 150,00)


No fim do Curso será fornecido um Certificado.


Inscrição: Faça sua inscrição pela Internet.


Pode também obter mais informações e efetuar a inscrição por telefone, fax, e-mail ou pessoalmente no CPSP - Centro de Psicossíntese de São Paulo:

  • Tel.: (11) 3082-7665, das 13h às 19h (falar com Claudete)
  • Fax: 3082-4738
  • Endereço do CPSP: Rua Lisboa, 344 / Pinheiros - São Paulo

quinta-feira, 13 de março de 2008

Movimento Humanista


Na minha tentativa de aprender mais sobre o movimento humanista eu me "bati" com esse vídeo introdutório. A música do Lenine também é muito legal.