terça-feira, 12 de agosto de 2008

Feng Shui

O texto abaixo, enviado por Clodoaldo Lordelo, é realmente muito valioso. Mais valioso do que nós queiramos admitir na maioria das situações.

O tempo, a única coisa que temos (temos?), e quanto o desperdiçamos! Eu já estou satisfeita de ter descoberto precocemente (no início dos anos 30) que o meu tempo é o que eu tenho de mais precioso. Ou seja, é bom que eu o gaste com sabedoria (essa é a parte difícil da coisa)! Se você pensar bem (depois de ter lido o texto referido), a maioria das coisas escritas aí embaixo deriva do fato de que nós somos todos mortais, finitos, perecíveis, portanto, e à luz disso, nem tudo vale a pena.

Eu sei que o tempo é um dos maiores clichês já escritos, falados, propagados, chorados, etc... mas como é verdadeiro!!! E como as pessoas só se dão conta disso no final.

...

E porque as "dicas" abaixo têm (eu acho que no português novo não se escreve assim, mas eu vou continuar com a velha escola) tudo a ver com a comunicação não violenta, ele está aí publicado pra quem quiser conferir.



Feng Shui

A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da desorganização.

A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível. A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades. De acordo com o Feng Shui Interior - uma corrente do Feng Shui que mistura aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes - bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relacionamentos. Para evitar tudo isso fique atento às

REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA

1. Jogue fora o jornal de anteontem.

2. Somente coloque uma coisa nova em casa quando se livrar de uma velha.

3. Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as diariamente.

4. Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com a cor e fique só com as que utiliza mesmo.

5. Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.

6. Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de papelão marcadas: lixo, consertos, reciclagem, em dúvida, presentes, doação. Após enchê-las, jogue tudo fora.

7. Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida.

Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas energias. Conheça cada dessas ações para evitar a 'crise energética pessoal'.

1. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo - Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

2. Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos - mal comum ao homem ocidental -, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

3. Sentimentos tóxicos - Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor, recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

4. Fugir do presente - As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: 'bons tempos aqueles!', costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5. Falta de perdão - Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica 'energeticamente obeso', carregando fardos passados.

6. Mentira pessoal -Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7. Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas 'e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8. Bagunça e projetos inacabados - A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro 'escape' de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe 'diz' inconscientemente: 'você não me terminou! Você não me terminou!' Isso gasta uma energia tremenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do auto - conhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em
projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9. Afastamento da natureza - A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d'água para acalmar o ambiente são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia. Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.

A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas, tais como: falha de memória (o famoso 'branco'), cansaço físico, sono deixa se ser reparador; ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas. Para economizar energia - o crescimento pessoal, a prosperidade e a satisfação - diminuem, os talentos não se manifestam mais por falta de energia, o magnetismo pessoal desaparece, medo constante de que o outro o prejudique, aumentando a competição, o individualismo e a agressividade, falta proteção contra as energias negativas e aumenta o risco de sofrer com o 'vampiro energético'.

Divulgue essas dicas para o maior número de pessoas possível e mentalize que, quando todos colocarem essas regras em prática, o mundo será mais justo e mais belo. Vamos tentar melhorar nossa energia pessoal. Atitudes erradas jogam energia pessoal no lixo.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O sentido da vida

Eu poderia ter escrito isso (abaixo)... de outra forma, com outras palavras, em outra língua, mas com o mesmo conteúdo.


"O sentido da vida? O sentido da minha vida. Os próprios livros empilhados e balançando na mesa de mamãe continham respostas pretensiosas a essas perguntas. "Somos criaturas que buscam sentido", escrevi, "que têm que lidar com o inconveniente de serem lançadas num universo que, intrinsecamente, não tem sentido algum". E assim, para evitar o niilismo, expliquei, temos de embarcar numa tarefa dupla. Primeiro, inventamos ou descobrimos um projeto que dê sentido à vida e seja vigoroso o bastante para sustentá-la. Depois, precisamos dar um jeito de esquecer nosso ato de invenção e nos convencer de que não inventamos, e sim descobrimos, o projeto que dá sentido à vida - convencer-nos de que ele tem uma existência independente "lá fora".


Embora eu finja aceitar sem julgamento as soluções encontradas por cada pessoa, secretamente eu as classifico como sendo de bronze, prata e ouro. Algumas pessoas são instigadas pela vida afora por uma visão de triunfo vingativo; outras, imersas no desespero, sonham apenas com a paz, o desapego e o livertar-se da dor; algumas dedicam a vida ao sucesso, à opulência, ao poder ou à verdade; outras buscam a autotranscendência e mergulham numa causa ou em outro ser - um ente querido ou uma essência divina; outras, ainda, encontram o sentido numa vida de prestação de serviços, no pleno desenvolvimento pessoal ou na expressão criativa.


Precisamos da arte, disse Nietzsche, para que a verdade não nos destrua."



Trecho extraído do livro " Mamãe e o sentido da vida" de Irvin D. Yalom. (Em negrito as partes de que eu gosto mais).


quinta-feira, 17 de julho de 2008

A frase


When you get what you want, but not what you need.

No bom português: quando você consegue o que você quer, mas não o que você precisa.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Lights will guide you home...


Ouçam com atenção essa música. Prestem mais atenção ainda na letra. Depois eu vou postar minhas impressões. Por hora só posso revelar que tem uma frase aí escondida que eu achei de grande valor.


"Fix You"
by Coldplay

When you try your best, but you don't succeed
When you get what you want, but not what you need
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I...

Tears stream down on your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down your face
And I...

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you


segunda-feira, 9 de junho de 2008

Violência neo-nazista na Alemanha

Esta feita foi a vez da jornalista Arnild van de Velde de me chamar atenção para este artigo da revista Der Spiegel (renomadas revista alemã) sobre a banalização da violência extremista (leia-se: neo-nazista, racista, baseada em alguma forma de discriminação e/ou intolerância) na Alemanha.


Regiões da Alemanha enfrentam a banalização da violência extremista
por Stefan Berk, Markus Deggerich e Sven Röbel

Ataques incendiários e racistas, perpetrados por extremistas de direita, fazem parte do cotidiano de certas regiões da Alemanha. As autoridades temem que o cenário neonazista do país esteja tornando-se cada vez mais violento

Os incendiários chegaram na noite da véspera do aniversário de Adolf Hitler. Após tentarem queimar uma quiosque de comida asiática na praça em frente à estação de trem de Blankenfelde, uma cidade no Estado alemão oriental de Brandenburgo, eles voltaram a sua atenção para outro quiosque, que vendia doner kebab (churrasco turco, grelhado, vendido em espeto), de propriedade de Haci D., 39. O fogo consumiu rapidamente a parede externa de madeira e tomou conta do quiosque inteiro. Ao raiar do dia, em 20 de abril, Haci D. perdera o seu ganha-pão.

Haci D. tentou várias vezes fazer um seguro para o seu negócio, mas não encontrou uma só companhia que o aceitasse. Seguro contra incêndio para um quiosque turco de doner kebab em Brandenburgo? Haci D. diz que, oficialmente, as companhias de seguro citaram "riscos estruturais" como motivo para rejeitarem o seu pedido.

Atualmente, esses "riscos estruturais" afetam a própria base de uma sociedade na qual a violência extremista de direita tornou-se normal. "O extremismo de direita faz parte do cotidiano, e só atrai atenção quando os crimes são demasiadamente horrendos", diz Wolfgang Thierse, vice-presidente social-democrata da casa baixa do parlamento alemão, o Bundestag.
Para continuar lendo, clique aqui.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

No tram da vida

Ontem de manhã minha experiência na metrópole de Haia me deixou com um gostinho amargo na boca. Lá vou eu entrando no Tram (bonde ou veículo leve sobre trilhos) e me esqueci que a minha Strippenkaart (uma espécie de cartão que a gente compra com antecedência e carimba ao entrar nos meios de transportes públicos) já estava toda gasta. Quem bom que eu tenho 20 euros, pensei eu, senão iria ter que dar uma paleta até a estação de trem.

Ledo engano. O motorista não só não aceitou meus 20 euros como não teve a menor paciência de esperar eu contar os meus trocados pra saber se juntando todas as moedas espalhadas na minha bolsa enorme chegava aos 1 euro e 60 centavos que eu precisava pagar pra chegar até a estação.

Eu tinha 1 euro e 45 centavos. Ele queria que eu descesse do Tram. Meu argumento de que eu tinha que ir trabalhar não fez nem ele piscar. Ele me disse que eu tinha que tentar o próximo Tram ou ônibus pra ver se ele tinha trocado.

História boba essa, né? Eu não achei quando estava nessa situação. Ainda mais que não dá pra descrever aqui o tom utilizado pelo motorista mal-educado, somente citar que foi bastante desagradável.

E todo mundo ao redor? Essa é a melhor parte. As pessoas também não piscaram. Fingiram que não era com elas. Aliás, não era com elas mesmo, né? Eu pensei, que mundo é esse? Todo mundo vira as costas pra não ver, e de propósito. Seguem a máxima (individualista): cada um por si e nenhum Deus por todo mundo.

Bem, nem todo mundo. Uma senhora, que não parecia das mais abastadas, me ofereceu o que estava faltando pra eu não ter que ser obrigada (era bem capaz do motorista chamar a polícia) a descer do Tram.

Lição do dia: nem todo mundo ignora o próximo, ou ainda, há pessoas que ainda conseguem enxergar o próximo.

O que me intrigou mais foi que, passando a régua, eu fiquei mais irritada com o comportamento do motorista grosseiro e das pessoas indiferentes (de tão tolerantes que são) que isso abafou a minha satisfação em encontrar alguém disposta a dar - simplesmente. A pergunta é: por quê? Com certeza alguma necessidade minha não atendida... um caso mais para um terapeuta do que para um blog.

Mas e as outras pessoas? As indiferentes? Quais são as necessidades delas não atendidas que as levam a se comportar dessa maneira? Não deve ser medo de ficar 15 centavos mais pobre, né?

***

Eu fico imaginando, essa minha história não é absolutamente nada comparada com outras tantas histórias de outras tantas pessoas necessitadas de verdade, que de tanto serem ignoradas já quase não existem mais.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Resistência palestina não violenta

Um outro Lordelo, dessa vez do site Nanotec Distribuidora, me chamou atenção para um artigo do Le Monde Diplomatique intitulado "Por uma nova resistência", no qual Ignácio Ramonet entrevista Mustafá Barghouti, líder da Iniciativa Nacional Palestina - uma movimento palestino não-fundamentalista e pela não-violência.

Abaixo, trechos da entrevista conduzida por Ignácio Ramonet:


A Iniciativa Nacional Palestina representa uma solução, uma alternativa, à Autoridade Palestina?

Não só à Autoridade. Pensamos que a Palestina carece, sim, de uma alternativa. Mas que não seja fundamentalista. Propomos uma alternativa não-fundamentalista. E somos pela não-violência. Mas não nos opomos à resistência. Porque a resistência, de um povo que vive sob ocupação é legítima, reconhecida e autorizada também pelo Direito internacional, desde que não faça vítimas entre os civis.

A Iniciativa Nacional Palestina prega a resistência não-violenta?

Sim. Nossa idéia é a resistência não-violenta, de massas. Penso, por exemplo, na primeira Intifada ou “a guerra das pedradas”, iniciada em dezembro de 1987, que salvou a OLP do desastre. É um bom exemplo de resistência não-violenta, de massas.

Se tivéssemos podido concluir as negociações com Israel naquele momento, sem desperdiçar os resultados da primeira Intifada [que durou até setembro de 1993], não teria havido Oslo, e teríamos uma paz sustentável. Mas os israelenses optaram por assinar aqueles acordos com uma liderança da OLP que, naquele momento, estava enfraquecida.

Hoje, a maioria dos palestinos está decepcionada, reduzida a uma escolha binária: ou o Fatah, subserviente e corrupto, ou o Hamás, religioso fundamentalista. A Iniciativa Nacional Palestina constitui uma alternativa, para conduzir a resistência.

O senhor acredita que a resistência não-violenta seja opção realista?

Temos de entender bem. Partimos de uma estratégia de quatro faces: 1) fomentar a resistência não-violenta, de massas; 2) ajudar a população a resistir, estimulando as forças de cada um e ajudando na vida diária; 3) buscar apoio em forte movimento de solidariedade internacional, como o que houve contra o apartheid na África do Sul; e 4) sob liderança unificada.

O fracasso do mundo árabe é conseqüência de não haver um único regime realmente democrático. Politicamente desprezados e socialmente empobrecidos, os cidadãos voltam-se ao fundamentalismo religioso.

Quais são suas chances de sucesso?


O futuro depende de nossa capacidade para convencer os palestinos quanto à eficácia de nossa estratégia de quatro pontos, de que já falamos. Além disto, temos uma agenda social. Exigimos respeito ao Estado de direito, aos direitos ligados à cidadania, aos direitos das mulheres, das crianças, dos portadores de deficiências, aos direitos sociais. Em resumo, respeito integral aos direitos humanos. E entendemos que esta agenda social deve estar diretamente articulada à nossa agenda política.

Que fórmula política o senhor preconiza, para pôr fim a este conflito interminável?

Somos pela solução dos dois Estados, que nos parece a melhor. É o modo mais fácil de pôr fim a tantos sofrimentos. Mas não sei se esta solução ainda é viável. Porque, para implementar a solução dos dois Estados, Israel tem de demolir o Muro do apartheid, parar definitivamente a colonização e demolir os prédios dos colonos — o que jamais fez. E prossegue a colonização, selvagem ou autorizada. Continuam a construir prédios e a colonização, na verdade, está avançando. Entre 1993 e 2006, o número de colonos mais que duplicou. São mais de 230 mil em Jerusalém Leste e mais de 250 mil na Cisjordânia. Já são 25% da população da Cisjordânia e ocupam mais de 40% de nosso território. Se isto continuar, não se pode prever o que acontecerá. O que posso garantir é que os palestinos jamais aceitarão que os convertam em alguma espécie de escravos de um bantustão.

Em meio a tanta violência, por que o senhor ainda aposta na não-violência? Seu projeto não lhe parece um pouco utópico?

Muita gente diz que Israel só entende o idioma da força. Neste sentido, Israel comporta-se como todas as demais potências coloniais. Nenhum Estado colonialista jamais entendeu por que os colonizados queriam vê-lo pelas costas. Aconteceu, por exemplo, com o Estado francês na Argélia, com o Estado inglês na Índia, no Quênia, no Iêmen.

Mas para mim, não há só a força militar. Foi a força da não-violência que pôs fim ao colonialismo na Índia e ao regime racista do apartheid na África do Sul.
Se conseguirmos mobilizar uma maioria de cidadãos palestinos, a favor da idéia de uma resistência de massa, não-violenta, creio que começaremos a ter paz nesta região. Uma paz justa para os dois lados, fundada em justiça e democracia. E que nos leve a uma prosperidade partilhada.


Para ler a entrevista toda, clique aqui.

domingo, 18 de maio de 2008

Criança tem que poder ser criança

Lordelo do blog semreligiao me chamou atenção para a blogagem coletiva contra a erotização da criança. É hoje o dia. Eu fiquei pensando: Sim, de fato é muito importante tematizar essa questão, mas não devemos esquecer que essa deve ser uma luta de todos os dias.

A mídia combinada com a sociedade de consumo em que vivemos exercem uma grande influência nos nossos modos e costumes - e nos dos nossos filhos. É aquela música com a dança sexual que a sua filha de 4 anos sabe "de cor e salteado"; é a roupa apertadinha, a saia curta, o cabelo assim ou assado; é a maquiagem da Xuxa ou da Angélica (ou da Sandy?); são os beijos lascivos em plena novela das 6.

Sem nenhum tipo de moralismo (cada qual que decida sua própria moral), mas eu acredito que esse conjunto de fatores rouba a infância da criança. A criança não é mais criança, aliás, nem mais feliz ela é (porque a felicidade fica acoplada ao que você assiste, ao que você consome - nem todo mundo pode consumir tudo o que "é preciso" para ser feliz, logo...).

Criança tem que ser tratada com respeito; tem que ser tratada como um adulto que tratamos com respeito. Devem ser respeitados seus desejos, mas principalmente sua liberdade de desejar. Eu já me explico:

Quem não se dedica a uma criança, não tem tempo pra ela, não pode lhe ouvir e utiliza a babá eletrônica (dizem ser das mais eficientes - estou falando da televisão, pra quem não entendeu a sutileza), não permite que a criança tenha desejos próprios, simples, e sim que assuma para si, e como seu, desejos impostos por essa mesma sociedade que quer que a gente consuma, consuma, consuma.

Eu admito que mesmo que alguém seja um pai esforçado e amoroso, não vai poder controlar toda a influência externa recebida pelo seu filho (aliás, eu nem acredito que isso seria desejável). No entanto, dedicando tempo, muita paciência, carinho e diálogo ao seu filho, é possível libertar a criança das rédias de uma "adultice" precoce - possivelmente causada por essas influências externas inevitáveis (ou pelo menos indiretamente causada).

Alguns vão querer me apedrejar pelo que eu vou dizer agora, mas eu vou dizer assim mesmo, pois pedra virtual não dói: eu acho que quem não respeita seu filho, não merecia tê-lo.

Numa conversa virtual com uma amiga minha sobre a liberação do sexo num parque em Amsterdam (depois de eu ter lhe dito que por mim tudo bem, se eles querem liberar que liberem, desde que ninguém seja forçado a fazer o que não quer...) ela me perguntou:

Agora mata uma curiosidade... Tá, as pessoas podem fazer isso nos parques porque é natural, as crianças podem ver porque também é natural, mas a partir de quando você pensa em dizer pra sua filha que ela pode repetir a cena porque também é natural? E, se é tão natural, por que ter limite de idade pra comecar (como recomendam os psicólogos)? Isso caberia bem naquela pergunta da minha filha aos 9 anos (se menina nessa idade não tem menstruação e menino não pode engravidar, por que eles não podem transar?). E aí?

Para o seu choque, eu lhe respondi:

Eu responderia a sua filha: do ponto de vista moral não há nada que impeça que crianças transem, mas não há necessidade alguma de se adiantar um processo da natureza, pois o natural é o sexo com o amadurecimento dos orgãos sexuais. Mas nem tudo que é natural é bom. A morte tambem é natural e a gente tenta evitá-la, as doenças também, etc... ser natural não significa ser bom, bem como ser cultural ou normativo também não. Então, eu não acho que as pessoas possam fazer nos parques PORQUE É NATURAL, pra mim pessoalmente não há problema porque eu não vejo nada demais no sexo nem tenho problema algum quanto a ele. As pessoas estarão satifazendo uma necessidade delas, fine! Quanto às crianças, será que é uma necessidade delas o sexo? É delas ou é imposta de fora (seja lá de que forma)? Ou porque elas viram e querem fazer também?

Eu discutirei tudo isso com Nina (pode escrever em pedra! - aliás, pior que em pedra é publicar na web como agora!) e não proibirei NADA. Mesmo porque proibir é o pior método de todos. Eu vou buscar fazer como meu pai fez: Quando eu tinha 14 anos, de brincadeira de escola eu bafei uma camisinha de meu colega e escondi na minha mochila. Terminei esquecendo e viajei no final de semana. Minha mãe descobriu a camisinha e ficou chateada (provavelmente se sentindo traída, a última a saber, hehehe), meu pai só me disse: eu acho ótimo a idéia da camisinha. É importante usar camisinha mesmo. Mas é também importante que você sinta que saiba o que está fazendo e não deixe ninguém lhe machucar, nem física nem emocionalmente. Quando você se sentir preparada para tanto, vá em frente. Eu achei esse conselho o máximo (meu pai provavelmente nem sabe disso), e continuo achando.

A minha tentativa, portanto, vai ser a de transmitir a minha filha liberdade com responsabilidade. Fazer ela aprender isso o menos forçado possível. E sempre discutindo, dialogando, considerando suas idéias e evitando toda e qualquer forma de imposição e de moralismo.

É desse respeito que eu estou falando. De não passar por cima das idéias, dos desejos, dos questionamentos de um adolescente. Por outro lado, uma criança de 5 anos não é uma criança de 10 (muito menos adolescente). Existem enormes nuances e diferenças. Um exemplo que eu acho esclarecedor: Não seria justo deixarmos uma criança de 3 anos decidir se vai pular do 9o andar do prédio, mas não precisamos esbofeteá-la todos os dias para que ela nem pense em chegar perto da janela. Já uma criança de 10 anos tem muito mais discernimento, é possível um diálogo em outras bases, de outro nível e com outro alcance.

Isso tudo aplicado à erotização, eu chego à conclusão que criança pequena tem que ser criança pequena e cabe aos pais dar-lhe condições de ser criança pequena sem precisar ser criança pequena erotizada. Criança grande tem que ser respeitada tanto quanto à pequena, o diferencial é que o nível de diálogo tem que ser maior. É como eu escrevi acima: dedicação de tempo, paciência, carinho e diálogo ao seu filho fazem a diferença.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Boi da cara preta

Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta

Outro dia eu recebi um email que criticava músicas infantis violentas, algumas das quais permearam a minha infância, como a do boi da cara preta ou da cuca vem pegar:

Nana neném que
A cuca vem pegar
Mamãe foi pra feira e
Papai foi trabalhar

Eu me lembro de discutir com o Movimento Negro em Salvador que o boi da cara preta não era uma música racista - e continuo achando isso. Só faltava agora não se poder mais falar da COR preta (ou branca, ou amarela, ou qualquer que seja) nem lhe associar um atributo dentro de um contexto. Mas quem pode negar que essa canção é uma canção que ameaça? (Nenhuma criança quer ser pega seja por boi preto ou branco).

E quanto à cuca? Ou a criança dorme ou a feia da cuca vem pegar? O que é isso? Sou só eu que enxergo o absurdo dessa "canção de ninar"? E o pior, ainda tem sérias questões de gênero a serem resolvidas aí: quer dizer então que o papel da mamãe é o de ir pra feira e o do papai de ir trabalhar? Lembrem-me: em que século estamos mesmo?

A do pau no gato a gente nunca cantou aqui em casa. Eu não tenho cara de contar pra a Nina que atirei o pau no gato, mesmo ele não tendo morrido por conta disso. Eu hein? E se um dia ela me perguntasse por que eu atirei o pau no gato? (E o pior, e se ela não me perguntasse nada? - Dessensibilização total! Mission acomplished!).

Agora um exagero do autor desse email que eu recebi foi colocar a música do cravo e da rosa no meio do bolo. Eu não vejo coisa demais nessa daí não (só coisa de menos ;-)), pois não ameaça a criança (apesar de quê, músicas infantis não precisam ter brigas como tema) nem a incitam a nada:

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa despetalada

O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo deu um gemido
E a rosa pôs-se a chorar

Brigas existem, infelizmente. De fato não precisam terminar em feridas nem em "despetalamentos", muito menos devem ser resolvidas à base da "porrada". O que deixa um gostinho meio amargo na boca ao final desta canção é toda e qualquer associação que a criança possa fazer entre o choro da rosa e um sentimento de culpa da parte desta. Sentimento de culpa? Tô fora! E essa bandeira a gente deve apertar na mão dos nossos filhos com força.

A do soldado eu canto, e ainda ensinei à Nina:

Marcha soldado
Cabeça de papel
Quem não marchar direito
Vai preso no quartel

O quartel pegou fogo
A polícia deu sinal
Acode, acode, acode
A bandeira nacional

Ah, dêem licença, por favor, pra ser soldado só com cabeça de papel mesmo (ainda mais de capacete azul pra ficar só espiando de soslaio enquanto indefesos são massacrados). Se você é soldado porque quer, tanto pior: " selber Schuld", em bom alemão (culpa sua - lá vem a danada da culpa de novo!). Eu evito preconceitos, mas em se tratando de exército fica meio difícil deixar de associar o que quer que seja de negativo (ainda mais tendo em vista a história do Brasil... apesar do quê, depois do filme da Maria de Medeiros - Capitães de abril - a coisa deu uma aliviada, nem todo japonês é igual).

E pra concluir, outro dia eu estava ouvindo um cd com Nina e a canção era:

A canoa virou
Quem deixou ela virar
Foi por causa da Maria
Que não soube remar

Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Eu tirava a Maria
Lá do fundo do mar

Logo no início (na primeira vez que ouvimos), eu cantei como Nina (foi por causa da Nina, etc...), mas quando chegou ao final eu quase chorei e óbvio me recusei de cantar o final com o nome da Nina. Que negócio é esse de "eu tirava a Nina lá do fundo do mar"? NÃO! Não tem nem graça cantar uma música dessas com o nome da minha pequena!!! DE-TES-TEI! Sem falar na culpa atribuída à pobre da Maria por ter deixado a canoa virar. Xiii, de novo a culpa. Culpa: tô fora! Vamos mentalizar isso, quem sabe um dia entra nas nossas cabeças nem que seja por osmose.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Necessidades sexuais (piada)

Esse é um texto de Luiz Fernando Veríssimo (pelo menos foi isso que me disseram)... esse texto é uma piada, mas uma piada que demonstra o quanto é necessário um concerto bem afinado das nossas necessidades com a daqueles que amamos.

Ele, o texto:
Eu nunca havia entendido porque as necessidades sexuais dos homens e das Mulheres são tão diferentes. Nunca tinha entendido isso de 'Marte e Vênus'. E nunca tinha entendido porque os homens pensam com a cabeça e as mulheres com o coração.

Uma noite, semana passada, minha mulher e eu estávamos indo para a cama.Bom, começamos a ficar a vontade, fazer carinhos, provocações, o maior 'T'E, nesse momento, ela parou e me disse:

- Acho que agora não quero, só quero que você me abrace...

Eu falei: O QUEEE???

Ela falou: Você não sabe se conectar com as minhas necessidades emocionais como Mulher.

Comecei a pensar no que podia ter falhado. No final, assumi que aquela noite não ia rolar nada, virei e dormi.

No dia seguinte, fomos ao shopping. Entramos em uma grande loja de Departamentos... Fui dar uma volta enquanto ela experimentava três modelitos caríssimos. Como não podia decidir por um ou outro, falei para comprar os três. Então, ela me falou que precisava de uns sapatos que combinassem, a R$ 300,00 cada par. Respondi que tudo bem. Depois fomos seção de joalheria, onde escolheu uns brincos de diamantes. Estava tão emocionada!! Deveria estar pensando que fiquei louco. Acho até que estava me testando quando pediu uma raquete de tênis, porque nem tênis ela joga. Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas quando falei que sim. Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo isso. Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!

Quando ela falou: Vamos passar no caixa para pagar, amor?

Daí eu disse: Acho que agora não quero mais comprar tudo isso, meu bem... só quero que você me abrace.

Ela ficou pálida.

No momento em que começou a ficar com cara de querer me matar, falei: Você não sabe se conectar com as minhas necessidades financeiras de Homem. Vinguei-me, mas acredito que o sexo acabou para mim até o Natal de 2010.

sábado, 22 de março de 2008

Prêmio e castigo

O prêmio

A idéia por trás de premiar uma criança (elogiar, acariciar, dar um presente, etc...) por um comportamento chamado 'adequado' é a de fazê-la repetir aquele comportamento. Como é agradável ser elogiada, acariciada, receber um presente, a criança tenderá a repetir esse comportamento no intuito de novamente experimentar a sensação de ser elogiada, acariciada e presenteada. Além disso, recebendo um elogio a criança vai associar o comportamento elogiado como algo bom. A diferenciação bom/ruim começa a ser feita, ou melhor, aprendida.

É interessante verificar como isso funciona até em extremos (ou talvez 'principalmente' em extremos). No seu relato sobre sua vida como criança-soldado, Ishmael Beah (no seu livro: 'A longa jornada: memórias de uma criança-soldado') conta como o seu comandante fez um concurso entre as crianças-soldado para ver quem conseguia cortar a garganta de um prisioneiro de guerra de modo a fazê-lo morrer primeiro. O vencedor foi aplaudido, elogiado, invejado. Esses aplausos, nada mais são do que o preenchimento de uma necessidade da criança-soldado por reconhecimento, amor, carinho, contato. Que essa retribuição aconteça depois de um ato brutal de violência, além de pouco importar, conecta esse ato com algo de bom: o elogio, levando a criança a associar o ato também como bom/positivo.

O prêmio pode ser em dar algo agradável, nesse caso ele é chamado de positivo, mas também em tirar algo desagradável, o prêmio chamado de negativo. Exemplos: eu posso dar a minha filha um chocolate pelo seu comportamento 'adequado' na casa da minha vizinha (tendo lhe prometido ou não), bem como o professor pode deixar as crianças sem dever de casa, porque elas foram 'boazinhas' (tendo lhes prometido ou não).

Existem, é claro, vários outros fatores que influenciam o comportamento infantil, como por exemplo o castigo, mas o prêmio não deve ser desconsiderado quando da análise desses fatores.

Meu problema pessoal com a premiação é que a criança vai se tornando aos poucos reativa. Quero dizer, age de acordo com os impulsos externos ou na expectativa de recebê-los. Além do que, dar algo ou prometer algo à criança para que ela aja de uma determinada forma me parece uma forma de manipulação inaceitável.


O castigo

O castigo é quase o contrário do prêmio. a tentativa com o castigo é de fazer diminuir o acontecimento de um comportamento chamado 'inadequado'.

Castigar também pode ser feito de maneira positiva ou negativa: bater, aprisionar, gritar (exemplos positivos - o nome soa estranho, não? Mas não sou eu a autora.) ou deixar de brincar, deixar de tomar sorvete ou mesmo de comer (quem nunca ouviu falar de 'Mamãezinha querida'?), deixar de ir a uma festa (exemplos negativos).

Não existe hoje um consenso entre psicólogos e psiquiatras que castigar uma criança é considerado ruim?
Eu pelo menos ainda não achei nenhum livro de psicologia infantil que considere bater, gritar, ameaçar ou 'colocar pra sentar nun cantinho' como bom para o desenvolvimento da criança. Se alguém souber de um, por favor, me indique, pois eu gostaria muito de perscrutar o seu conteúdo.

Há pelo menos uma mudança de mentalidade na Europa a esse respeito. Um exemplo: professores de algumas escolas em algumas partes da Grã-Bretanha até pouco tempo (década de 80) podiam ainda bater em seus alunos. Hoje não mais. A Declaração Européia de Direitos Humanos e a Corte em Strasbourg tiveram com certeza uma grande influência nessa mudança, mas será que é só isso ou há um reconhecimento geral de que essa violência além de desnecessária é prejudicial?


Eu acredito (e não estou sozinha) que o principal foco da criança ao ser castigada vai ser no castigo e não no comportamento 'inadequado' que não deve ser repetido. Existe sem sombra de dúvida uma relação de poder entre a criança e o 'carrasco', que é exercitada no momento do castigo. A criança é obrigada, forçada (posto que não tem forças para resistir à imposição do castigo) a 'aceitar' o castigo. A criança castigada é então humilhada (a humilhação não é algo extra, é o castigo em si, pois a criança tem que se render a essa imposição). É patente a sua impotência frente ao poder daquele que castiga. A humilhação sofrida, por mais sutil que seja, não vai levar a criança a compreender que seu comportamento foi 'inadequado' e nunca mais repeti-lo (intuito declarado por aquele que castiga); mas pode levar a criança a internalizar que ela tem menos valor (humilhação = desvalorização), posto que tem menos poder, fez algo 'errado', etc. Eu não acredito que isso se dê na base da consciência, mas que fica um gostinho de 'eu sou mais fraco', 'eu perdi', 'eu não posso contra ele' fica. Tambem gera sentimentos de raiva o castigo. A criança na sua impotência sente raiva por aquele que a castiga. E em se tratando da querida mamãe, esse sentimento de raiva leva consequentemente ao famigerado sentimento de culpa, pois 'como posso sentir eu raiva por esse ser amoroso que é tudo na minha vida, a minha mãe'? E quanto a culpa... sem comentários.



Por mais que alguém não aceite nenhum dos argumentos acima e/ou outros que existem, tem que aceitar pelo menos uma coisa: há outros meios de mostrar à criança que determinado comportamento não é adequado para a vida em sociedade. E então, eu lanço o desafio e abro o debate: por que não buscar essa compreensão e esse aprendizado através do diálogo ao invés de por toda e qualquer forma de violência ou manipulação?

terça-feira, 18 de março de 2008

Curso de CNV em São Paulo

A CNV - Comunicação Não-Violenta trabalha com distinções precisas para investigar formas de comunicação. Buscando alternativas para a confrontação, possibilita mudanças estruturais no modo de encarar e organizar as relações humanas, valorizando a convivência ética, responsável e lúdica, por meio das quais podemos criar ambientes menos estressantes e mais prazerosos.


O Curso de CNV será composto de 7 encontros.


Facilitadora:

Valéria Almeida: Educadora. Formada em cursos de magistério; graduada em comunicação social e ciências sociais; seguiu treinamento intensivo de CNV (Non-Violent Communication International Intensive Training); pós-graduada em dinâmicas corporais terapêuticas, com aperfeiçoamento em arte-educação e psicomotricidade. Focalizadora de capacitação em Comunicação Não-Violenta para agentes sociais da Fundação Gol de Letra (2004 a 2006); ministra Cursos de Introdução e Prática da CNV na Associação Palas Athena (2006 a 2008).


Data: Serão 8 encontros, às quintas-feiras, nos dias 27de março; dias 3, 10, 17 e 24 de abril e 08 e 15 de maiode 2008.


Horário: O participante poderá escolher entre dois horários, conforme for mais conveniente, das 17h30 às 19h00 OU das 20h30 às 22h00.


Local: CPSP - Rua Lisboa, 344 - Pinheiros, São Paulo.


Investimento: R$ 300,00 (em 2 parcelas de R$ 150,00)


No fim do Curso será fornecido um Certificado.


Inscrição: Faça sua inscrição pela Internet.


Pode também obter mais informações e efetuar a inscrição por telefone, fax, e-mail ou pessoalmente no CPSP - Centro de Psicossíntese de São Paulo:

  • Tel.: (11) 3082-7665, das 13h às 19h (falar com Claudete)
  • Fax: 3082-4738
  • Endereço do CPSP: Rua Lisboa, 344 / Pinheiros - São Paulo

quinta-feira, 13 de março de 2008

Movimento Humanista


Na minha tentativa de aprender mais sobre o movimento humanista eu me "bati" com esse vídeo introdutório. A música do Lenine também é muito legal.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Existe melhor sentimento do que satisfazer uma necessidade do outro?

Eu fiquei impressionada (pra variar) quando eu li no livro do Marshall (o outro, o da resolução de conflitos pelo método da comunicação não violenta) a resposta sempre unânime obtida por ele a uma pergunta que sempre faz no início dos seus seminários (espero que a minha memória aqui não me traia). Primeiro ele pede para que nós nos lembremos de uma ocasião em que fizemos/demos algo a alguém (sem querer nada em troca, sem nenhum outro objetivo senão o de dar) que "fez bem" a essa pessoa; depois a gente deve se lembrar do que sentimos naquela ocasião. E a pergunta: tem sentimento melhor do que esse? Do que esse sentimento de satisfazer uma necessidade do outro? E a resposta é sempre não. Esse foi o melhor, o mais agradável sentimento já sentido.

Bem, eu pensei muito a respeito, mas por mais que pense, não consigo chegar a uma conclusão adequada. Vejam bem, eu não tenho a MENOR dúvida de que esse é um sentimento maravilhoso. Eu mesma ADORO senti-lo, MAS como é que a gente pode saber se é o melhor? Existe uma escala para medir sentimentos? E mais, existe uma hierarquia deles?

Quando eu recebo algo assim de modo despretensioso, eu também me sinto ÓTIMA! Se o sentimento de dar é maior do que o de receber?... não sei. Mas existe uma conexão entre os dois. Acho que não só a qualidade do sentimento grandioso é a mesma, mas há algo na atitude de quem dá e de quem recebe que se parece. Para mim, essa semelhança está nas circunstâncias envolvidas. Eu me explico melhor, tanto em um caso como no outro há uma aura de verdade, de sinceridade, de desprendimento, enfim de amor...

Talvez seja isso então: o amor liga tudo. O amor despretensioso, honesto, sem expectativas, sem pedidos, compromissos, contratos, sem símbolos, sem nada, simplesmente puro. E ele é possível?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Song (letra da música song, 1978) de Ruth Bebermeyer

I never feel more given to
than when you take from me -
when you understand the joy I feel
giving to you.
And you know my giving isn't done
to put you in my debt,
but because I want to live the love
I feel for you.
To receive with grace
may be the greatest giving.
There's no way I can separate
the two.
When you give to me,
I give you my receiving.
When you take from me,
I feel so given to.

(Letra da música 'Song' de Ruth Bebermeyer tirada do livro do Marshall, Nonviolent Communication).

Eu queria colocar essa música como introdução da discussão 'dar ao outro', 'satisfazer as necessidades do outro' e também como reflexão para compreensão mais profunda possível do seu significado. (Amanhã mais).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Resumo do conceito de cnv

Comunicação não violenta também é conhecida como “compassionate communication” (comunicação interessada/ simpática-empática /compreensiva – eu acho muito difícil traduzir essa expressão de forma adequada, talvez alguém tenha uma idéia melhor?). Ela descreve todas as ações humanas como sendo motivadas pela tentativa de preencher determinadas necessidades humanas. Em atendendo essas necessidades, no entanto, aquele que se comunica sem violência procura evitar utilizar/manipular sentimentos de medo, vergonha, coerção, manipulação, culpa ou ameaça. Quando buscamos nos comunicacar através desse “método”, nós procuramos satisfazer nossas necessidades enquanto também buscamos satisfazer necessidades de outros. A comunicação não violenta evita utilizar julgamentos de bom/ruim, certo/errado, pois procura focar na expressão verdadeira (honesta) dos sentimentos e necessidades, e para isso não são necessários críticas e julgamentos.


Vamos explorar isso o tópico em negrito a partir de amanhã.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A idéia da não violência

A primeira vez em que eu ouvi falar do conceito da Comunicação Não-Violenta (CNV) foi através de um livro que a minha sogra me emprestou: a solução de conflitos pela método da comunicação não violenta do Marshall (entrevistado por uma jornalista alemã). Mas eu acho que já escrevi isso aqui, não?

A idéia básica da comunicação não violenta (ou cnv) é: sempre que nos comunicamos estamos buscando suprir alguma necessidade. A forma na qual o fazemos depende de quanto estamos cientes do motivo (a tal necessidade) de o estarmos fazendo. O Marshall chama o oposto da comunicação não-violenta no seu livro não de "comunicação violenta", e sim de "comunicação alienante da vida". É alienante porque não diz a nossa necessidade, que continua estranha para nós. Nesta concepção, as formas de "comunicação alienante" não são apenas formas agressivas de expressão, mas também as que usamos, por exemplo, para culpar (não importa a quem), para manipular, por exemplo tentando causar sentimentos de piedade, ou até mesmo elogiar (e essa afirmação ainda vai dar pano pra manga). Já um sinônimo usado por ele para a comunicação não-violenta é "comunicação empática". Mas o que é empatia?
.
Vamos trabalhar aqui a partir da semana que vem capítulo por capítulo do livro principal do Marshall sobre a comunicação não violenta. O intuito é o de compreender, o de gerar a discussão, o de trocar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Mais do que palavras

More than words

Mais do que palavras

Saying I love you
Is not
the words I want to hear from
Its
you not that I want you
Not to say, but if you only knew
How easy it would be to show me how you feel
More than words is all you have to do to make it real


Then you wouldn’t have to say that you love me
Cos Id already know

What would you do if my heart was torn in two

More than words to show you feel
That your
love for me is real


What would you say if I took those words away
Then you
couldn’t make things new
Just by saying I love you

More than words

Now Ive tried to talk to you and make you understand
All you
have to do is close your eyes
And just reach out your hands and touch me
Hold me close don’t ever let me go

More than words is all I ever needed you to show


Then you
wouldn’t have to say that you love me
Cos Id already know

What would you do if my heart was torn in two

More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away
Then you couldnt make things new
Just by saying I love you

More than words

Dizendo eu te amoNão são as palavras que eu quero ouvir de você
Não
é que eu não queira que você as diga, mas se você somente soubesse
Como seria
fácil me mostrar como você se sente
Mais do que palavras é tudo que você tem que fazer para tornar esse amor real
Então você não teria que me dizer que você me
ama
Pois eu já saberia

O que você faria se meu coração
fosse rasgado em dois
Mais do que palavras para mostrar que você
Que seu amor para
sente mim é real

O que você diria se eu removesse aquelas palavras
Então você não poderia renovas as coisas

Apenas dizendo eu te amo

Mais do que palavras
Agora eu tentei falar-lhe e fazer-lhe compreender que
Tudo que você tem que fazer é fechar seus olhos
E estender suas mãos

e me tocar
Mantenha-me próximo nunca me
Mais do que
deixe ir palavras é tudo que euprecisava que você mostrasse

Então você não teria que dizer que você me ama
Pois eu já saberia


O que você faria se meu coração fosse rasgado em dois
Mais do que palavras para mostrar que você sente
Que seu amor para mim é real

O que você diria se eu removesse aquelas palavras
Então você não poderia
renovas as coisas
Apenas dizendo eu

te amo

Mais do que palavras


Mais do que palavras... sim, é necessário mais do que palavras para expressar um sentimento. Seja como for, é necessário mais do que apenas dizer eu te amo para demonstrar o seu amor por alguém. Eu costumo dizer: o amor não é uma idéia, é uma vivência. Se não se vive o amor, ele não existe. Não importa o quanto o outro queira lhe convencer do seu amor por você.


Eu fiquei surpresa e satisfeitíssima ao ler no livro do Marshall (o ‘solucionando conflitos através da comunicação não violenta’ em alemão) que ele procura dizer o seu amor com mais palavras do que somente eu te amo.


Quero dizer, ele procura demonstrar pro outro o seu amor, bem como comunicá-lo, porém não somente com fórmulas feitas como ‘eu te amo’.


Eu também penso assim. Aliás, eu acho inclusive que não se ama estaticamente. Ou seja, o amor é uma sensação, ele é fluido, passa, volta, modifica-se. Eu não amo a Nina 24 horas por dia. Mesmo porque tem horas que eu não estou pensando nela, conectada com ela. Além disso, obviamente, tem horas que eu me aborreço e o sentimento então é outro.



Enfim, é preciso mais do que palavras para se demonstrar um sentimento e mesmo as palavras precisam ser medidas, ser sinceras. Se o automatismo tomar conta da relação, a gente não vai poder mais tarde se lamentar de ‘a onde a relação foi parar’...


Sinceridade é preciso, e para isso coragem!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A necessidade de significado

Uma das necessidades do ser humano sem dúvida é a necessidade de significado. A busca pelo porquê de tudo; o motivo, a razão de continuar sendo todos os dias. Com certeza nem todo mundo tem essa necessidade, ou pelo menos não a define desta forma. Eu tenho amigos que dizem que viver não faz sentido. Ou talvez melhor dizendo, não há um sentido final nas coisas, para a vida, etc. Nós vivemos e pronto. Eles não conseguem compreender a busca pelo sentido das coisas. Eles vivem cada dia de cada vez, um dia após o outro. Mesmo assim, a necessidade de dar um sentido a vida parece vencer e dominar a maioria.

Uma citação interessante de um livro que eu estou lendo: "To be spiritual need not mean a life of asceticism and denial. Here, as in every part of spiritual life, what is needed is balance, in this case a balance between our own immediate pleasures and the equally powerful pleasure we get at being able to satisfy the needs of others and at being needed by others and by the universe itself. A spiritual life can be the source of great pleasure, fun, and play." pag. 28 em Spirit matters (veja abaixo).

Como conseguir esse equilibrio é que me parece a questão chave...

2 dicas de livro sobre significado, não estão em português, mas pelo autor de repente vocês acham uma tradução:

Der Sinn des Lebens - coletânia de autores, editora DTV (em alemão)
Spirit matters - Michael Lerner (em inglês)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Conferência sobre violência nas escolas públicas

Essa é a 4a conferência nesta matéria que estará sendo realizada em nível mundial. Organizada pelo Instituto de Apoio a Criança em cooperação com a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, a conferência será realizada este ano em Lisboa de 23 a 25 de junho. Os organizadores divulgam que "Estes encontros tornaram-se num ponto de encontro essencial para todos os que se interessam pelo fenómeno da violência".

Informações práticas:
- As línguas utilizadas na conferência serão o português, o inglês e o francês.
- O custo para profissional é de 220 euros pagos até o dia 14 de abril. A partir dessa data o preço sobe. Estudantes pagam até esta data 100 euros.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Words are Windows (or They're Walls)

I feel so sentenced by your words,
I feel so judged and sent away,

Before I go I've got to know

Is that what you mean to say?

Before I rise to my defense,

Before I speak in hurt or fear,
Before I build that wall of words,

Tell me, did I really hear?

Words are windows, or they're walls,

They sentence us, or set us free.
When I speak and when I hear,

Let the love light shine through me.

There are things I need to say,

Things that mean so much to me,

If my words don't make me clear,

Will you help me to be free?

If I seemed to put you down,
If you felt I didn't care,
Try to listen through my words

To the feelings that we share.


Ruth Bebermeyer

(poema publicado no livro do Marshall - Nonviolent communication, a language of life - logo antes do primeiro capítulo).



Minha tradução livre:


Palavras são janelas ou são paredes

Eu me sinto sentenciada pelas suas palavras,
Eu me sinto julgada e mandada embora,
Antes que eu vá eu preciso saber
É isso que voce queria dizer?

Antes que eu faça a minha defesa,
Antes que eu fale machucada ou amedrontada,

Antes que eu levante uma parede de palavras,
Diga-me, eu realmente ouvi?
Palavras são janelas ou são paredes,

Elas nos sentenciam ou nos deixam livres.

Quando eu falo e quando eu escuto,

Deixe que a luz do amor me atravesse.

Há coisas que eu preciso dizer,

Coisas que são tão importantes para mim,

Se minhas palavras não me fazem clara,

Você me ajudará a ser livre?

Se eu pareci lhe colocar pra baixo,

Se você sentiu que eu não liguei,
Tente ouvir minhas por minhas palavras

Os sentimentos que nós dividimos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A História da Não Violência - Parte 5/5

A História da Não Violência - Parte 4/5


Eu não conhecia o trabalho de Silo e a wikipedia me ajudou pouco. Só tem escrito isso lá: Silo (Mário Luis Rodriguez Cobos) nasceu na Argentina em 1938. Autor de vários livros, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Academia de Ciências da Rússia. Reside em Mendoza, Argentina, em um vilarejo próximo à sua cidade natal, com a esposa e os dois filhos.

Sobre o movimento humanista por ele criado também há pouco na wikipedia, mas encontrei algo como "a mensagem de silo", que pode ser encontrada aqui. "Trate os outros como você gostaria de ser tratado" é a base do seu trabalho. Lembra muito: "ame o seu próximo como a si mesmo". Se bem que a primeira frase pressupõe que a pessoa queira se tratar com respeito e amor; enquanto a segunda impõe que a pessa se ame, quase numa lógica: é preciso amar a si próprio para poder amar o próximo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A História da Não Violência - Parte 3/5


Não obstante o Dr. Martin Luther King ter sido pastor (o não obstante aqui vai somente como salvaguarda da posição também não violenta e de busca por justiça social da parte de ateus e agnósticos. Outro dia eu li uma discussão no youtube que me levou a querer escrever esse parêntesis. Algumas pessoas religiosas querendo fazer crer que ateus e/ou agnósticos são a peste do mundo, o motivo da violência que há, etc...), ele foi um ativista político. Aliás, um dos mais importantes da história mundial. Tendo como pano de fundo a segregação racial estadunidense dos anos 50, ele lutou pela igualdade dos direitos civis de negros e mulheres através de uma campanha de não violência e de amor ao próximo.

Aqueles que querem ter uma idéia da extensão do seu discurso revolucionário não podem perder a leitura de "Warriors don't cry", de Melba Patillo Beals. Essa então jovem negra americana participa do programa de integração das escolas americanas, até então segregadas. É um importante livro, um exemplo de como sobreviver num meio mais do que hostil sem reagir com violência. Quando eu li esse livro eu me lembrei muito da minha vó Mirinha, que sempre nos disse: violência gera violência. Eu me senti recomfortada em saber que outra vó, em outros tempos, do outro lado do mundo tenha dito a mesma coisa numa situação tão mais difícil e violenta do que qualquer uma que eu já tenha vivido.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A História da Não Violência - Parte 2/5


Gandhi compreendia a violência não somente como violência física. Ele também comprendia a violência como violência passiva, o tipo de violência emocional, mais insidioso. A violência física é que atiça o fogo da violência física, gerando, entre outras coisas, desejo de vingança nos que a sofrem. Para acabar com a violência física é preciso acabar com a violência passiva, diga-se de passagem, uma forma de violência muito mais sutil, nem sempre reconhecida como tal pela maioria das pessoas.

"Cada um tem que ser a mudança que deseja no mundo, se quer que o mundo mude um dia". Não devemos esperar que o outro mude primeiro, pois o risco é muito alto, pode ser que ele não mude nunca.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A História da Não Violência - Parte 1/5


O vídeo procura demonstrar (para iniciantes) como personalidades históricas como Martin Luther King e Ghandi praticaram a não violência como forma de transformação social. Formam uma série de 5 vídeos no total.

A não-violência refere-se a uma série de conceitos, entre eles conceitos como moralidade, poder e conflitos que rejeitam o uso da força quando da busca de efetivação de objetivos sociais, econômicos e/ou políticos.