Lordelo do blog semreligiao me chamou atenção para a blogagem coletiva contra a erotização da criança. É hoje o dia. Eu fiquei pensando: Sim, de fato é muito importante tematizar essa questão, mas não devemos esquecer que essa deve ser uma luta de todos os dias.
A mídia combinada com a sociedade de consumo em que vivemos exercem uma grande influência nos nossos modos e costumes - e nos dos nossos filhos. É aquela música com a dança sexual que a sua filha de 4 anos sabe "de cor e salteado"; é a roupa apertadinha, a saia curta, o cabelo assim ou assado; é a maquiagem da Xuxa ou da Angélica (ou da Sandy?); são os beijos lascivos em plena novela das 6.
Sem nenhum tipo de moralismo (cada qual que decida sua própria moral), mas eu acredito que esse conjunto de fatores rouba a infância da criança. A criança não é mais criança, aliás, nem mais feliz ela é (porque a felicidade fica acoplada ao que você assiste, ao que você consome - nem todo mundo pode consumir tudo o que "é preciso" para ser feliz, logo...).
Criança tem que ser tratada com respeito; tem que ser tratada como um adulto que tratamos com respeito. Devem ser respeitados seus desejos, mas principalmente sua liberdade de desejar. Eu já me explico:
Quem não se dedica a uma criança, não tem tempo pra ela, não pode lhe ouvir e utiliza a babá eletrônica (dizem ser das mais eficientes - estou falando da televisão, pra quem não entendeu a sutileza), não permite que a criança tenha desejos próprios, simples, e sim que assuma para si, e como seu, desejos impostos por essa mesma sociedade que quer que a gente consuma, consuma, consuma.
Eu admito que mesmo que alguém seja um pai esforçado e amoroso, não vai poder controlar toda a influência externa recebida pelo seu filho (aliás, eu nem acredito que isso seria desejável). No entanto, dedicando tempo, muita paciência, carinho e diálogo ao seu filho, é possível libertar a criança das rédias de uma "adultice" precoce - possivelmente causada por essas influências externas inevitáveis (ou pelo menos indiretamente causada).
Alguns vão querer me apedrejar pelo que eu vou dizer agora, mas eu vou dizer assim mesmo, pois pedra virtual não dói: eu acho que quem não respeita seu filho, não merecia tê-lo.
Numa conversa virtual com uma amiga minha sobre a liberação do sexo num parque em Amsterdam (depois de eu ter lhe dito que por mim tudo bem, se eles querem liberar que liberem, desde que ninguém seja forçado a fazer o que não quer...) ela me perguntou:
Agora mata uma curiosidade... Tá, as pessoas podem fazer isso nos parques porque é natural, as crianças podem ver porque também é natural, mas a partir de quando você pensa em dizer pra sua filha que ela pode repetir a cena porque também é natural? E, se é tão natural, por que ter limite de idade pra comecar (como recomendam os psicólogos)? Isso caberia bem naquela pergunta da minha filha aos 9 anos (se menina nessa idade não tem menstruação e menino não pode engravidar, por que eles não podem transar?). E aí?
Para o seu choque, eu lhe respondi:
Eu responderia a sua filha: do ponto de vista moral não há nada que impeça que crianças transem, mas não há necessidade alguma de se adiantar um processo da natureza, pois o natural é o sexo com o amadurecimento dos orgãos sexuais. Mas nem tudo que é natural é bom. A morte tambem é natural e a gente tenta evitá-la, as doenças também, etc... ser natural não significa ser bom, bem como ser cultural ou normativo também não. Então, eu não acho que as pessoas possam fazer nos parques PORQUE É NATURAL, pra mim pessoalmente não há problema porque eu não vejo nada demais no sexo nem tenho problema algum quanto a ele. As pessoas estarão satifazendo uma necessidade delas, fine! Quanto às crianças, será que é uma necessidade delas o sexo? É delas ou é imposta de fora (seja lá de que forma)? Ou porque elas viram e querem fazer também?
Eu discutirei tudo isso com Nina (pode escrever em pedra! - aliás, pior que em pedra é publicar na web como agora!) e não proibirei NADA. Mesmo porque proibir é o pior método de todos. Eu vou buscar fazer como meu pai fez: Quando eu tinha 14 anos, de brincadeira de escola eu bafei uma camisinha de meu colega e escondi na minha mochila. Terminei esquecendo e viajei no final de semana. Minha mãe descobriu a camisinha e ficou chateada (provavelmente se sentindo traída, a última a saber, hehehe), meu pai só me disse: eu acho ótimo a idéia da camisinha. É importante usar camisinha mesmo. Mas é também importante que você sinta que saiba o que está fazendo e não deixe ninguém lhe machucar, nem física nem emocionalmente. Quando você se sentir preparada para tanto, vá em frente. Eu achei esse conselho o máximo (meu pai provavelmente nem sabe disso), e continuo achando.
A minha tentativa, portanto, vai ser a de transmitir a minha filha liberdade com responsabilidade. Fazer ela aprender isso o menos forçado possível. E sempre discutindo, dialogando, considerando suas idéias e evitando toda e qualquer forma de imposição e de moralismo.
É desse respeito que eu estou falando. De não passar por cima das idéias, dos desejos, dos questionamentos de um adolescente. Por outro lado, uma criança de 5 anos não é uma criança de 10 (muito menos adolescente). Existem enormes nuances e diferenças. Um exemplo que eu acho esclarecedor: Não seria justo deixarmos uma criança de 3 anos decidir se vai pular do 9o andar do prédio, mas não precisamos esbofeteá-la todos os dias para que ela nem pense em chegar perto da janela. Já uma criança de 10 anos tem muito mais discernimento, é possível um diálogo em outras bases, de outro nível e com outro alcance.
Isso tudo aplicado à erotização, eu chego à conclusão que criança pequena tem que ser criança pequena e cabe aos pais dar-lhe condições de ser criança pequena sem precisar ser criança pequena erotizada. Criança grande tem que ser respeitada tanto quanto à pequena, o diferencial é que o nível de diálogo tem que ser maior. É como eu escrevi acima: dedicação de tempo, paciência, carinho e diálogo ao seu filho fazem a diferença.
A mídia combinada com a sociedade de consumo em que vivemos exercem uma grande influência nos nossos modos e costumes - e nos dos nossos filhos. É aquela música com a dança sexual que a sua filha de 4 anos sabe "de cor e salteado"; é a roupa apertadinha, a saia curta, o cabelo assim ou assado; é a maquiagem da Xuxa ou da Angélica (ou da Sandy?); são os beijos lascivos em plena novela das 6.
Sem nenhum tipo de moralismo (cada qual que decida sua própria moral), mas eu acredito que esse conjunto de fatores rouba a infância da criança. A criança não é mais criança, aliás, nem mais feliz ela é (porque a felicidade fica acoplada ao que você assiste, ao que você consome - nem todo mundo pode consumir tudo o que "é preciso" para ser feliz, logo...).
Criança tem que ser tratada com respeito; tem que ser tratada como um adulto que tratamos com respeito. Devem ser respeitados seus desejos, mas principalmente sua liberdade de desejar. Eu já me explico:
Quem não se dedica a uma criança, não tem tempo pra ela, não pode lhe ouvir e utiliza a babá eletrônica (dizem ser das mais eficientes - estou falando da televisão, pra quem não entendeu a sutileza), não permite que a criança tenha desejos próprios, simples, e sim que assuma para si, e como seu, desejos impostos por essa mesma sociedade que quer que a gente consuma, consuma, consuma.
Eu admito que mesmo que alguém seja um pai esforçado e amoroso, não vai poder controlar toda a influência externa recebida pelo seu filho (aliás, eu nem acredito que isso seria desejável). No entanto, dedicando tempo, muita paciência, carinho e diálogo ao seu filho, é possível libertar a criança das rédias de uma "adultice" precoce - possivelmente causada por essas influências externas inevitáveis (ou pelo menos indiretamente causada).
Alguns vão querer me apedrejar pelo que eu vou dizer agora, mas eu vou dizer assim mesmo, pois pedra virtual não dói: eu acho que quem não respeita seu filho, não merecia tê-lo.
Numa conversa virtual com uma amiga minha sobre a liberação do sexo num parque em Amsterdam (depois de eu ter lhe dito que por mim tudo bem, se eles querem liberar que liberem, desde que ninguém seja forçado a fazer o que não quer...) ela me perguntou:
Agora mata uma curiosidade... Tá, as pessoas podem fazer isso nos parques porque é natural, as crianças podem ver porque também é natural, mas a partir de quando você pensa em dizer pra sua filha que ela pode repetir a cena porque também é natural? E, se é tão natural, por que ter limite de idade pra comecar (como recomendam os psicólogos)? Isso caberia bem naquela pergunta da minha filha aos 9 anos (se menina nessa idade não tem menstruação e menino não pode engravidar, por que eles não podem transar?). E aí?
Para o seu choque, eu lhe respondi:
Eu responderia a sua filha: do ponto de vista moral não há nada que impeça que crianças transem, mas não há necessidade alguma de se adiantar um processo da natureza, pois o natural é o sexo com o amadurecimento dos orgãos sexuais. Mas nem tudo que é natural é bom. A morte tambem é natural e a gente tenta evitá-la, as doenças também, etc... ser natural não significa ser bom, bem como ser cultural ou normativo também não. Então, eu não acho que as pessoas possam fazer nos parques PORQUE É NATURAL, pra mim pessoalmente não há problema porque eu não vejo nada demais no sexo nem tenho problema algum quanto a ele. As pessoas estarão satifazendo uma necessidade delas, fine! Quanto às crianças, será que é uma necessidade delas o sexo? É delas ou é imposta de fora (seja lá de que forma)? Ou porque elas viram e querem fazer também?
Eu discutirei tudo isso com Nina (pode escrever em pedra! - aliás, pior que em pedra é publicar na web como agora!) e não proibirei NADA. Mesmo porque proibir é o pior método de todos. Eu vou buscar fazer como meu pai fez: Quando eu tinha 14 anos, de brincadeira de escola eu bafei uma camisinha de meu colega e escondi na minha mochila. Terminei esquecendo e viajei no final de semana. Minha mãe descobriu a camisinha e ficou chateada (provavelmente se sentindo traída, a última a saber, hehehe), meu pai só me disse: eu acho ótimo a idéia da camisinha. É importante usar camisinha mesmo. Mas é também importante que você sinta que saiba o que está fazendo e não deixe ninguém lhe machucar, nem física nem emocionalmente. Quando você se sentir preparada para tanto, vá em frente. Eu achei esse conselho o máximo (meu pai provavelmente nem sabe disso), e continuo achando.
A minha tentativa, portanto, vai ser a de transmitir a minha filha liberdade com responsabilidade. Fazer ela aprender isso o menos forçado possível. E sempre discutindo, dialogando, considerando suas idéias e evitando toda e qualquer forma de imposição e de moralismo.
É desse respeito que eu estou falando. De não passar por cima das idéias, dos desejos, dos questionamentos de um adolescente. Por outro lado, uma criança de 5 anos não é uma criança de 10 (muito menos adolescente). Existem enormes nuances e diferenças. Um exemplo que eu acho esclarecedor: Não seria justo deixarmos uma criança de 3 anos decidir se vai pular do 9o andar do prédio, mas não precisamos esbofeteá-la todos os dias para que ela nem pense em chegar perto da janela. Já uma criança de 10 anos tem muito mais discernimento, é possível um diálogo em outras bases, de outro nível e com outro alcance.
Isso tudo aplicado à erotização, eu chego à conclusão que criança pequena tem que ser criança pequena e cabe aos pais dar-lhe condições de ser criança pequena sem precisar ser criança pequena erotizada. Criança grande tem que ser respeitada tanto quanto à pequena, o diferencial é que o nível de diálogo tem que ser maior. É como eu escrevi acima: dedicação de tempo, paciência, carinho e diálogo ao seu filho fazem a diferença.







2 comentários:
muito bom! quero so ver quando nina fizer 10-12 anos e começar a ler todos esses posts de séculos atras! ;)
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