sábado, 13 de outubro de 2007

Amor(?) – berço dos piores conflitos

E porque é o amor - ou isso que se diz amor - o berço dos piores conflitos; de conflitos geradores de violência, sim senhor(!), eu quero uma pausa. Só quero um segundo para falar de ti, ó amor, àqueles que pensam que lhe encontraram, mas lhe violentam em cada ato, em cada olhar, em cada passo.


Chama e Fumo

Amor - chama e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gôzo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama e, depois, fumaça...

Tanto êle queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo êle é gôsto e graça.
Amor, fogueira linda a arder!
Amor - chama e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas, tem de ser...
Amor?... - chama e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...

Do grande poeta brasileiro Manuel Bandeira.

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