Como educar os filhos sem violência? Ontem mesmo eu tive uma conversa com Adriana sobre isso, dado que somos duas mães preocupadas com o bem-estar e o desenvolvimento emocional dos nossos pequenos educação é sempre um tema. Ela me mandou um link muito bom a esse respeito, e como tem tudo a ver com o tema deste blog, não podia passar em branco. Vale a pena dar uma olhada nele para entender melhor este post.
A minha maior dúvida é como conciliar o fato de que os pais precisam satisfazer as necessidades dos filhos com a imposição de limites a eles. Eu acredito que todo mundo concorda que criança precisa de limite. Aliás, acho que vocês vão concordar até mais com isso do que com o fato de que os pais têm que satisfazer as necessidades dos filhos. Eu ouvi aqui na Holanda por exemplo de uma mãe: “eu não tô aqui pra me adequar a vida dela (da filha), ela é que tem que se adequar a minha”.
Portanto, estejam avisados, não estamos navegando em águas calmas!
Eu posso lhes expor a minha forma de conciliar a aparente contradição entre a não violência e a imposição de limites. Daí partimos para o debate. Eu creio que este tema ainda vai ter parte 2, parte 3, parte ...
Nina adora ir ao supermacado. Lá tem muitas coisas coloridas e prateleiras cheias de sacos, latas, garrafas colocadas numa altura que ela alcança. Além disso, que beleza(!), algumas coisas são até geladinhas, mais uma sensação diferente para experimentar. Por mais boa vontade que se tenha, não dá pra deixar ela tirar tudo das prateleiras, nem morder todas as maçãs, cebolas ou cenouras que encontra pela frente, muito menos abrir o saco do papel higiênico e puxar o rolo inteiro. Surge então o conflito de interesses: de um lado ela, querendo experimentar tudo do jeito que ela quer, de preferência sem nenhuma barreira à plena satisfação das suas necessidades; do outro lado eu, tentando impedir o caos de se estabelecer (imaginem a cena: eu e Nina sendo expulsas do Super De Boer levando pra casa uma mega conta para o Uwe pagar – simplesmente hilária!).
Até aí eu não creio que haja nenhuma discordância entre nós de que a mãe precisa se impor, ou seja, à necessidade de se expandir, de criar, de brincar, de se divertir, de experimentar da minha pequena precisam ser levantados obstáculos. No entanto, o que parece fácil, às vezes, se torna um pesadelo: eu falo com ela, explico todos os porquês, mostro a ela outras coisas, falo do miau que a gente vai encontrar quando sair do mercado, pergunto se ela já cansou de estar ali, se quer colo, etc... normalmente funciona. E quando ela tem um pacote de macarrão pra jogar no carrinho e se distrair, funciona mais rápido ainda. O pesadelo é quando ela começa a chorar, a gritar, a fazer um corpo de enguia (como o pai chama) e a testar a paciência de qualquer cristão.
Bem, a minha solução é simples, e eu creio, não violenta. Eu largo a mão dela (senão o braço fica muito esticado, já que ela se jogou no chão) e fico do lado dela quieta, esperando ela terminar o escândalo, que nada mais é do que uma forma dela me dizer que não quer fazer aquilo que eu quero que ela faça. A reação dela então é (a) voltar rapidamente para tentar continuar fazendo “o proibido” ou (b) se levantar e me seguir. No caso (a), eu simplesmente recomeço todo o processo (aliás, é nessa hora que eu tenho certeza de que quando eu morrer eu vou pro paraíso sem passar pelo purgatório!). Chega um momento em que ela simplesmente entende. E eu não precisei bater, gritar, carregar contra a vontade, ameaçar, jogar sentimentos de culpa nem motivá-la extrínsecamente.
Eu estou bastante ciente de que este é apenas um simples exemplo. Mas o que eu queria, acho que atingi: mostrar que é possível sim educar sem violência.
A minha maior dúvida é como conciliar o fato de que os pais precisam satisfazer as necessidades dos filhos com a imposição de limites a eles. Eu acredito que todo mundo concorda que criança precisa de limite. Aliás, acho que vocês vão concordar até mais com isso do que com o fato de que os pais têm que satisfazer as necessidades dos filhos. Eu ouvi aqui na Holanda por exemplo de uma mãe: “eu não tô aqui pra me adequar a vida dela (da filha), ela é que tem que se adequar a minha”.
Portanto, estejam avisados, não estamos navegando em águas calmas!
Eu posso lhes expor a minha forma de conciliar a aparente contradição entre a não violência e a imposição de limites. Daí partimos para o debate. Eu creio que este tema ainda vai ter parte 2, parte 3, parte ...
Nina adora ir ao supermacado. Lá tem muitas coisas coloridas e prateleiras cheias de sacos, latas, garrafas colocadas numa altura que ela alcança. Além disso, que beleza(!), algumas coisas são até geladinhas, mais uma sensação diferente para experimentar. Por mais boa vontade que se tenha, não dá pra deixar ela tirar tudo das prateleiras, nem morder todas as maçãs, cebolas ou cenouras que encontra pela frente, muito menos abrir o saco do papel higiênico e puxar o rolo inteiro. Surge então o conflito de interesses: de um lado ela, querendo experimentar tudo do jeito que ela quer, de preferência sem nenhuma barreira à plena satisfação das suas necessidades; do outro lado eu, tentando impedir o caos de se estabelecer (imaginem a cena: eu e Nina sendo expulsas do Super De Boer levando pra casa uma mega conta para o Uwe pagar – simplesmente hilária!).
Até aí eu não creio que haja nenhuma discordância entre nós de que a mãe precisa se impor, ou seja, à necessidade de se expandir, de criar, de brincar, de se divertir, de experimentar da minha pequena precisam ser levantados obstáculos. No entanto, o que parece fácil, às vezes, se torna um pesadelo: eu falo com ela, explico todos os porquês, mostro a ela outras coisas, falo do miau que a gente vai encontrar quando sair do mercado, pergunto se ela já cansou de estar ali, se quer colo, etc... normalmente funciona. E quando ela tem um pacote de macarrão pra jogar no carrinho e se distrair, funciona mais rápido ainda. O pesadelo é quando ela começa a chorar, a gritar, a fazer um corpo de enguia (como o pai chama) e a testar a paciência de qualquer cristão.
Bem, a minha solução é simples, e eu creio, não violenta. Eu largo a mão dela (senão o braço fica muito esticado, já que ela se jogou no chão) e fico do lado dela quieta, esperando ela terminar o escândalo, que nada mais é do que uma forma dela me dizer que não quer fazer aquilo que eu quero que ela faça. A reação dela então é (a) voltar rapidamente para tentar continuar fazendo “o proibido” ou (b) se levantar e me seguir. No caso (a), eu simplesmente recomeço todo o processo (aliás, é nessa hora que eu tenho certeza de que quando eu morrer eu vou pro paraíso sem passar pelo purgatório!). Chega um momento em que ela simplesmente entende. E eu não precisei bater, gritar, carregar contra a vontade, ameaçar, jogar sentimentos de culpa nem motivá-la extrínsecamente.
Eu estou bastante ciente de que este é apenas um simples exemplo. Mas o que eu queria, acho que atingi: mostrar que é possível sim educar sem violência.







Um comentário:
Vamos continuar a estoria!!! Suponhamos que a mae esteja vivendo uma destas fases (desejo para a nossa mae exemplo que seja so uma fase) em que o marido perdeu o emprego, obviamente que ela nao trabalha alem dos das abrigacoes familiares e tantos outros infortunios que qualquer ser humano pode imaginar e se for brasileiro mais facil ainda, dada a condicao de pobreza da grande maioria dos nossos conterraneos. Nestas condicoes, a mae nao ser violenta( nao digo nem bater) é para quando morrer ir mesmo direto para o ceu.
Portanto para educar um filho/a, na minha concepção, a regra basica e numero 1 é muito simples: amá-lo/a incondicionalmente!!! se este sentimento existe verdadeiramente, consegue-se superar as agruras pessoais que a vida nos impoe.
Certa feita uma das minhas filhas, a mais ousada delas, tinha 3 anos de idade e estava voltando de carro com a Professora do jardim de infancia. A professora ao deixá-la em nossa casa, ela simplesmente disse-nos que aquela noite ela iria dormir na casa da PRO. 30 minutos depois de muita conversa e todos os argumentos possiveis, eu, a mae e a PRO nao conseguiamos demovê-la da ideia. O que fazer? deixar ela ir para a casa da PRO? que nao tinha convidado ela e provavelmente nao estava nos seus planos ir dormir altas horas da noite com uma aluna? esperar mais meia hora ate todos, inclusive ela se cansar? retirar a forca ela de dentro do carro? dar umas palmadas bem no modelo antigo de educar? Confesso que se fosse hoje com a idade que tenho iria dormir com ela dentro do carro da PRO tentando argumentar com ela ate prvavelmente de madrugada quando ela desmairia de sono, mas naquela epoca, perdi a paciencia e dei pela primeira vez umas 3 palmadas nela e tive que tirá-la a forca do carro. Até hoje sofro com aquela atitude minha, mas confesso que, mesmo tendo uma natureza fortemente zen, nao consegui fazer de outra forma. Nunca mais em minha vida voltei a batê-la. Apesar dela ser extremamente ousada, decidida e impetuosa, advinhem de quem eu estou falando?
Bem continuamos outra hora com os limites que sao fundamentais na vida dos seres humanos, embora pessimos por outro lado.
Clodoaldo Lordelo
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