quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Falta empatia

Finalmente o meu livro chegou, justo agora que essa enxurrada de férias não nos deixa tempo nem para uma horinha no sofá enquanto a Nina dorme. Que pena... entretanto, estar por todo lado sempre com a vela içada é um bom laboratório.

Ainda no início desta semana, em casa de um amigo em Berlim, não pude deixar de notar um tom rancoroso em sua voz ao me passar informações sobre uma amiga em comum, quero dizer, amiga minha, ex dele. Tantos anos se passaram depois do término e ainda assim o sentimento manchado é o que sobressai. O que é isso?

Acredito que aqui novamente nos encontramos em terreno incerto, impróprio, tantas vezes inexplicável. Por que é tão difícil fazer as pazes com o outro? Aquele a quem tantos versos foram dedicados, tantas horas dos nossos poucos minutos de folga do trabalho furtados, tantas mensagens sofríveis digitadas, tantos sorrisos fugidios escapados, tantos passos temerosos percorridos juntos... falta alguma coisa, sobram outras. Em alemão alguém diria que está faltando Verarbeitung (digestão/assimilação/trabalho), eu repito o Marshall e digo que está faltando empatia (empathy).

A empatia é palavra-chave para assimilar o passado, compreendê-lo, digeri-lo e viver no presente, posto que o passado, a esta altura já trabalhado, pode ser deixado no passado, não sendo mais fonte de incômodo. Ser empático é poder se colocar no lugar da outra pessoa, sentir o que ela sente, buscar compreendê-la através do caminho percorrido por ela, tendo os olhos dela como janela. O problema é que às vezes você precisa dar pra depois receber. E neste caso específico, o do orgulho ferido: quem cede primeiro? Quem atira a primeira pedra?

Se vocês esperaram encontrar uma solução aqui, sinto decepcioná-los. Ainda estamos dando os primeiros passos. Por isso tantas perguntas, poucas respostas, bússula, e não gps. É preciso o debate!

E porque a flor nos dá tanto e pede tão pouco. Sendo ela mesma símbolo de paz, harmonia, amor, reconciliação, o melhor é terminar com uma linda flor encontrada num burgo no sul da Alemanha, dedicando-a a todos aqueles que ainda precisam curar os corações (e quem não precisa?), incitando-os a fazer as pazes e a contribuir para a nossa descoberta.
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